Para despedidas
te desejo o fogo como chama lacerante que desentope as veias
os poros
e faz nascer os cabelos.
Não te desejo tudo de bom,
boa vida ou qualquer sofisticação normativa que impeçam de dizer o que realmente ocorre.
Desejo mãos decididas
que levantam a espada para o possível corte eficaz
onde tudo rebrota
depois da morte.
Não te desejo tranquilidade ou harmonia rarefeita
dessas que não oscilam a temperatura
e mantém tudo no mormaço das moscas diárias.
Desejo berros,
gritos,
Urros de chega!
provindos da estrutura óssea que escapa como matéria espiritual pela mandíbula.
Nem conto de fadas
nem utopias
te desejo.
Te desejo a vida bruta
como carne aberta
ferida exposta para o mundo.
Desejo sua mania de perfeição virada ao avesso
sem chão
sem lados
sem tetos
Desejo que tuas excreções saiam publicamente
e que não haja lugar para te esconder de tua vergonha
criada absurdamente por ti.
Te desejo o apetite voluptuoso do mar
e a fatal fina espinha de peixe pressa na garganta.
Não te desejo nas minhas preces e orações
Te quero longe das minhas mãos cuidadoras
Não te desejo beijos e abraços em final de mensagens
e que não ocupes nenhuma linha mais dos meus textos
Te desejo o cru da vida
para que tua boa poesia
não fique esquecida
trancada
e guardada por teus monstros
nas gavetas da tua monotonia.
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